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REVISTA ABC Comercial nº 10
ANO III - nº 10 - 2005

Com a Palavra o Director Nacional do Comércio Interno e da Revista ABC Comercial - Dr. Gomes Cardoso

  • “COMÉRCIO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS – DA ECONOMIA CENTRALIZADA A ECONOMIA DE MERCADO”

Dr. Gomes CardosoNa Revista “ABC Comercial” nº 9, isto é, anterior a este número, abordei o tema “Comércio em Angola, 28 Anos de Actividades e Perspectivas”, tendo destacado em síntese: 

Principais Metamorfoses do Comércio em Angola, sintetizados em (5) cinco etapas ou seja de 1974 a 2005;
Principais Constrangimentos Registados;
Principais Resultados Alcançados;
Identificação de (10) dez medidas para Consolidação das conquistas já alcançadas e promoção de novas técnicas e tecnologias conducentes a modernização do Sector do Comércio em Angola.

Na verdade de “Jure” o Órgão do Governo Reitor, Licenciador e Fiscalizador do Comércio em Angola, foi criado apenas em 3 de Junho de 1977 ou seja a cerca de 28 anos, mas de “Facto”, o exercício da actividade comercial e de
prestação de serviços mercantis, apesar de várias vicissitudes nunca conheceu interrupção pelo que neste número e dando sequência ao artigo em referência (vide encarte/ Suplemento do Presente Número), vamos deixar neste espaço o nosso modesto testemunho sob o título “Comércio nos Últimos 30 Anos – Da Economia Centralizada a Economia de Mercado”.

A Actividade Comercial e de Prestação de Serviços Mercantis, nos últimos 30 Anos foi caracterizado por quatro grandes acontecimentos e traços fundamentais:

Monopolização do Sistema de Aprovisionamento, Distribuição e Comercialização de Bens e Serviços:
Durante a economia centralizada, adoptou-se o Comércio Administrativo, baseado no abastecimento racional de bens e serviços por meio de Cartões de Abastecimento, através das Unidades Económicas Estatais; aplicação do regime de preços fixados em todos os produtos e existência do monopólio de aprovisionamento no Mercado Nacional e Internacional, distribuição e comercialização de bens e serviços, gestão de Hotéis, Restaurantes e Similares, pelo Estado.

Liberalização da Actividade Comercial e de Prestação de Serviços Mercantis:
Tratou-se do período de transição entre a Economia Centralizada para a Economia de Mercado, onde se operaram entre várias as seguintes medidas:

Descentralização e desconcentração da actividade comercial interna e externa, respectivamente;
Redimensionamento e privatização de toda rede comercial grossista, retalhista e de prestação de serviços mercantis;
Desmonopolização do sistema de aprovisionamento, distribuição e comercialização, gestão de Hotéis, Restaurantes e Similares, abertura do mercado a concorrência e diversificação da oferta de bens e serviços a população, que passou a ser assegurado pelos Operadores Económicos Privados;
Liberalização de preços de bens e serviços, passando a vigorar no Sector do Comércio o Regime de Preços Livres;
Surgimento do Comércio Informal (um mal necessário na conjuntura actual), na Rua, de Rua, Esquina, Defronte aos Estabelecimentos e Mercados paralelos ou seja actos do comércio expontâneos realizados em locais impróprios sem condições mínimas higio-sanitárias e técnico comerciais recomendáveis;
Igualdade do género no Comércio.

Criação de Bases Gerais, Jurídico Legais, sobre o Exercício da Actividade do Comércio, em Angola:
Este período foi caracterizado pela:

Adopção da Política e Estratégia Comercial;
Adopção da Legislação Comercial e respectivos Regulamentos de organização e funcionamento de cerca de 11 actividades comerciais, incluindo O Comércio Precário, de Feirante, Ambulante e de Vendedor de Mercado;
Adopção do Novo Sistema de Licenciamento da Actividade Comercial, da Organização do Cadastro Comercial e de Prestação de Serviços Mercantis e do Alvará Comercial, de âmbito Nacional;
Adopção das Leis de Defesa do Consumidor e de Padrões de Peso e Medida.

Promoção e Desenvolvimento de Novas Técnicas, Tecnologias e Instrumentos de Modernização do Comércio:
Esta actual fase marca uma viragem histórica do ponto de vista qualitativo pois permitiu informatizar o Sistema de Licenciamento da Actividade e Organização do Cadastro Comercial, criação do Site www.dnci.net do Correio Electrónico e-mail: minco.dnci.gc@netangola.com, produziu e vai produzir instrumentos que não só permitirão assegurar as conquistas já alcançadas e fundamentalmente revolucionar todo o processo de Reformas, Normalização e Modernização em curso no Sector do Comércio.

Com efeito, o ano de 2005, foi um dos mais produtivos no Sector do Comércio, pela criação de entre outros, dos seguintes instrumentos e eventos:

Programa e Estratégia de Reestruturação do Sistema de Logística e de Distribuição de Bens Essenciais a População e do Projecto Nova Rede Comercial, aprovado pelo Governo;
Projecto de Lei Nacional do Comércio e respectivos Regulamentos;
Projecto da Revisão do Estatuto Orgânico do Ministério do Comércio;
Plano Director de Desenvolvimento Sustentável do Comércio;
Organização e Realização do II Conselho Consultivo do Ministério do Comércio (que não se realizava a 7 anos);
Preparação do Exame da Política Comercial, de Angola;
Organização e Realização do VIII Seminário Nacional do Comércio, em Angola;
Curso de Capacitação de Responsáveis e Quadros de Defesa do Consumidor;
Visitas de Ajuda e Controlo as Províncias do Bengo, Benguela, Kuando-Kubango, Lunda-Norte, Luanda, Namibe, Malange e Huíla.

Diplomacia Económica e Comercial, com participação de Sua Excelência, Senhor Ministro do Comércio, nos seguintes Foruns Internacionais:

Alemenha: Forum Económico sobre Angola;
Japão: Expo 2005 – Exposição Mundial AICHI;
Egipto: Conversações com o Público Empresarial da “Terra dos Faraós”;
Senegal: 4ª Forum da AGOA, reunido sob o lema “Desenvolvimento e diversificação do Comércio”, no sentido de promover o aumento da produtividade;
Camarões: Cooperação Sul – Reforço da Cooperação Comercial e Bilateral;
China/Macau: Forum sobre Ambiente de Investimentos entre China e Países de Língua Portuguesa/ 9ª Edição da Feira Internacional de Comércio e Investimento da China.

Apesar de alguns constrangimentos, sem dúvidas, o balanço do Comércio nos últimos 30 anos é francamente positivo em todos aspectos nomeadamente do ponto de Organização, Jurídico legal, Infra estruturas, da Quantidade, Qualidade e de Comercialização e Prestação de Serviços ao Consumidor e de Formação de Recursos Humanos, do Ministério do Comércio.

Estas são algumas de várias informações disponíveis sobre a história, metamorfoses e progressos alcançados do Sector do Comércio, 30 anos após a Independência Nacional. 

“ANGOLA – 30 ANOS DE INDEPENDÊNCIA
UM NOVO COMÉRCIO
UM INSTRUMENTO DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO”

BEM HAJA!
Gomes Cardoso

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