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“MECANISMO DE EXAME DAS POLÍTICAS COMERCIAIS – EXAME DA POLÍTICA COMERCIAL DE ANGOLA”
Entende-se por Política Comercial, o conjunto
de princípios, políticas, medidas e
instrumentos que, baseados na política
económica do País, agem sobre os volumes das
importações e das exportações, visando criar
uma capacidade industriosa que leve a uma certa
diversidade e à redução da vulnerabilidade
económica.
O Mecanismo de Exame das Políticas
Comerciais (MEPC) constitui um instrumento,
criado ao nível da Organização Mundial do
Comércio (OMC), para avaliar como os diversos
Países membros desta organização multilateral
tratam as diversas questões de política comercial
e como se inserem no comércio mundial, ou
ainda, como aplicam as diversas regras sobre o
comércio internacional derivadas dos diversos
acordos que compõem o chamado GATT de
1994.
O MEPC é um mecanismo a que todos os membros
da OMC devem estar sujeitos periodicamente.
Foi nesse sentido que Angola se submeteu a este
mecanismo no passado mês de Fevereiro, nos
dias 14 e 16. Para que tal pudesse acontecer, ao
longo de aproximadamente um ano, técnicos do
Secretariado da OMC, juntamente com técnicos
angolanos realizaram uma exaustiva compilação
de toda a legislação económica e comercial que
suportou a elaboração do relatório do secretariado
da OMC, que constitui a opinião dos técnicos
da OMC sobre o que estes pensam ser a Política
Comercial de Angola.
Paralelamente a este relatório do secretariado da
OMC, o Governo de Angola deveria também
apresentar um relatório sobre o seu entendimento
daquilo que foram os desenvolvimentos mais
recentes da política económica em geral e da
política comercial em particular.
Ambos relatórios deveriam abordar um conjunto
de questões, organizadas em quatro capítulos, da
seguinte maneira:
I – O AMBIENTE ECONÓMICO
Neste capítulo são abordados quatro temas,
nomeadamente:
i) as perspectivas recentes
(crescimento económico, emprego e redução da
pobreza);
ii) desenvolvimento da política macroeconómica
(políticas monetária, fiscal e cambial
e, ainda as questões ligadas à governação);
iii) a balança de pagamentos (conta corrente, reservas
internacionais e dívida externa);
iv) desenvolvimento do comércio de mercadorias (composição
e direcção dos fluxos de mercadorias).
II – OS REGIMES DE COMÉRCIO E DE
INVESTIMENTOS
Este capítulo aborda o quadro institucional dos
regimes, a formulação e a implementação de
políticas, os objectivos de política comercial e os
acordos comerciais de Angola com outros
Países.
III – AS POLÍTICAS E PRÁTICAS COMERCIAIS
POR MEDIDAS
Este capítulo desenvolve as questões relacionadas
com o regime aduaneiro, as medidas
que afectam directamente as importações e as
exportações, a produção e o comércio.
IV – A POLÍTICA COMERCIAL POR SECTORES
Este capítulo faz referência aos diversos instrumentos
que afectam os distintos Sectores
Produtivos (Agricultura, Indústria, Pescas,
Minas, etc) e de Serviços (Energia, Transporte,
Telecomunicações, etc).
Depois de compilados os documentos (os
relatórios do Governo de Angola e do
Secretariado da OMC), aconteceu então o
debate, na sede da OMC em Genebra, no qual
Angola respondeu a todas as questões que lhe
foram colocadas, tanto previamente por escrito,
como todas as que foram colocadas na sessão de
debate. Grande parte das respostas foram dadas
durante esse debate enquanto outras foram dadas
posteriormente no prazo de trinta dias, conforme
prevê o próprio regulamento do MEPC.
A delegação angolana a esta primeira sessão foi
chefiada por Sua Excelência, o Ministro
Adjunto do Primeiro Ministro, Sr. Aguinaldo Jaime, facto
que foi bastante aplaudido pelos membros da
OMC que se pronunciaram na sessão, pois
demonstrou o nível de engajamento e a
importância que o nosso País atribui à OMC.
Esta sessão permitiu esclarecer muitas das dúvidas
de alguns membros da OMC, dentre as quais
as relacionadas com a boa-governação, o procurement
(as compras do Estado), os subsídios, a
linha de crédito com a China (no que respeita aos
concursos públicos).
Uma das grandes vantagens da nossa participação
neste fórum é a existência, agora, de uma
publicação internacional sobre a política comercial
angolana, a qual pode ser acedida por todos
os actores do comércio internacional e não só,
uma publicação que tem toda a credibilidade
porque foi realizada por uma instituição de
carácter multilateral. Por outro lado, esta publicação
que tem um alto valor didáctico, pode e
deve ser amplamente utilizado pelas nossas universidades
como “estudos de casos” nas disciplinas
de comércio internacional.
Neste momento, embaixadas estrangeiras e
investidores já procuram essa publicação, o que
constitui, para todos nós, uma grande mais-valia
em termos de visibilidade e de abertura do nosso
país junto do exterior.
VICE MINISTRO DO COMÉRCIO
MANUEL DA CRUZ NETO
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Comercial nº 11 |