Direcção Nacional do ComércioDirecção Nacional do Comércio Interno - Uma Nova Era do Comércio em Angola
8 de Julho de 2002 a 8 de Julho de 2006 - 4º ANIVERSÁRIO DO WEBSITE!

ABC COMERCIAL: PUBLICAÇÕES: REVISTAS
anterior início imprimir enviar link

REVISTA ABC Comercial nº 11
ANO IV - nº 11 - 2006

Comércio, Produção e Segurança Alimentar

  • “AGOA: VIDEO CONFERÊNCIA – MINISTRO DO COMÉRCIO, JOAQUIM ICUMA MUAFUMBA”

Joaquim Icuma Muafumba - Ministro do ComércioEntre os anos fiscais 2002 e 2005, a assistência do governo dos Estados Unidos para Angola foi de mais de USD 425 milhões. Porém, este montante não inclui a assistência fornecida às organizações internacionais, tais como ajudas ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados- HCR e à Cruz Vermelha Internacional-CICV), aplicados em Angola neste mesmo período.

A Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) foi consagrada a 18 de Maio de 2000 como parte da Lei de Comércio e Desenvolvimento dos EUA, possibilitando deste modo, a entrada isenta de taxas alfandegárias no mercado Americano de produtos designados provenientes de países africanos, que se encontrem em fase de implementação de uma economia de mercado livre e de reformas políticas democráticas.

Tal como Moçambique, falando concretamente dos PALOP, constituiu um dos primeiros países elegíveis aos benefícios da AGOA em 2000, o meu país, Angola, pretende igualmente poder a vir exportar para os Estados Unidos uma variedade de produtos isentos de Taxas Alfandegárias, de acordo com o Sistema Geral de Preferências (GSP).

Daí a importância da reforma institucional em curso no meu Ministério, onde prevemos a criação logo que aprovado o novo Estatuto Orgânico do Ministério do Comércio, da institucionalização do Instituto Nacional do Fomento das Exportações (INAPEX).

Com este primeiro passo dado, esperamos que com a ajuda de nossos parceiros e amigos americanos, possamos a curto e médio prazos, poder exportar para os EUA não apenas diamantes e petróleo como vem sendo o caso, mas também, bens agrícolas frescos e processados, produtos piscatórios ou derivados como é o caso da farinha de peixe.

Como grande produtora de algodão num passado longínquo, agora em tempos de Paz, não excluímos a possibilidade de tão logo quanto possamos, poder exportar este importante produto seja ele manufacturado ou em bruto.

Igualmente importante para o meu país e para todos angolanos, é ver num futuro breve o nome de Angola constar como beneficiária do Acordo Geral de Tarifas e Comércio à Ronda do Uruguai, onde contamos para o efeito do apoio e assistência do Governo dos EUA.

Por isso é extremamente importante que estejamos e continuemos a trabalhar em conjunto com o Governo dos EUA nestes domínios.

Da AGOA esperamos que ofereça aos exportadores angolanos um acesso sem restrições ao importante mercado Americano, e que num espaço de tempo razoável, elimine as taxas alfandegárias para permitir aos bens angolanos tais como Café em grão ou processado, Castanha de Caju, Manga, etc, competir com produtos de outras partes do mundo ao pé de igualdade.

Acreditamos e esperamos que a AGOA resulte ser um instrumento importante para a reintegração de Angola na economia mundial, tal como ela já o foi num passado longínquo sob o então domínio colonial português.

Uma vez apresentado este “Statemen” estou à disposição dos Excelentíssimos Srs. para outros esclarecimentos ou perguntas. 

Muito Obrigado
Joaquim Icuma Muafumba

 

  • MEDIDAS DE SALVAGUARDA, DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC), PARA PROTECÇÃO DA PRODUÇÃO NACIONAL”

Introdução:

Sr. Castro DomingosCaros Leitores, subestimar o sector do Comércio é negar um factor fundamental para o desenvolvimento sócio-económico sustentado em África e particularmente em Angola.

A Legislação Comercial Angolana, permite a toda a população o ingresso no sector do Comércio, contemplando as diversas franjas da sociedade, do rico até ao cidadão mais pobre. Como é do conhecimento de todos, a ausência no País de uma indústria modernizada e ampliada, na actual conjuntura faz com que a maioria da população não intelectual se dedique a pequenos negócios comerciais para procurar os meios de sobrevivência e, assim sendo, o Comércio aparece como guardião do exercito populacional empauperizado por situações de vária ordem, com vista a reduzir o índice de desemprego, a pobreza extrema e a miséria.

A UNCTAD – Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento no seu Simpósio realizado no Brasil, na Cidade de S. Paulo em 2004, realçou a importância do sector do Comércio no contexto global do desenvolvimento das nações e manifestou a preocupação de alguns Países não darem especial atenção a esse bloco económico tão importante para a erradicação da fome no mundo, desde que funcione em estreita ligação com os sectores de Agricultura, Indústria Transformadora e Transportes;

A África é o continente mais visado, porquanto, em vez do grau de pobreza extrema diminuir, pelo contrário, tende a aumentar.

Ciclos Viciosos da Pobreza e suas Causas:

Os célebres Economistas especializados nas questões económicas, governação e gestão da coisa pública, interpretam o fenómeno do ciclo vicioso da pobreza da seguinte forma:

Para que haja progresso num País, é preciso que nele se realizem investimentos. Os investimentos só podem ser feitos à custa do produto das poupanças ( a menos que se consiga capital do Exterior). Para se conseguir um nível razoável de poupança é preciso que o nível de rendimentos da população seja alto, pois, quando os cidadãos são muito pobres, a sua contribuição para o erário público é muito reduzido, visto que os seus rendimentos mal chegam para satisfazer as suas necessidades essenciais de consumo, e, assim, esquematicamente demonstram o fenómeno em questão da seguinte maneira:

a) Fraco nível de desenvolvimento Rendimentos muito baixos possibilidades de poupança muito reduzidas   fraco nível de investimentos pequeno progresso económico;
Resultado: Permanência do subdesenvolvimento.
b)
Fraco nível de desenvolvimento fracas possibilidades de educação fracas possibilidades de progresso económico;
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento
c)
Fraco nível de desenvolvimento pequenez do mercado poucos atractivos para os investimentos pequeno progresso económico;
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento
d)
Fraco nível de desenvolvimento falta de economias externas poucas possibilidades para investimentos
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento

Desmantelamento do Ciclo Vicioso de Pobreza:

Como desmantelar esse ciclo vicioso que assola uma boa parte dos Países Africanos?
É, ou não possível romper esse ciclo vicioso que apoquenta milhões de pessoas no mundo?

A nosso ver, pensamos que sim.

Angola, é um País que se libertou muito recentemente de uma guerra devastadora que destruiu quase todas as infra-estruturas económicas e sociais e as Províncias que então eram grandes produtoras de bens alimentares e geradores de stocks para a exportação, como sejam: Uíge, Kuanza-Norte, Malange, Bié, Huambo, Huíla, Kuanza-Sul etc, ficaram debilitadas em consequência da guerra que desalojou a maior parte dos seus habitantes.
O sector privado em Angola, ainda não tem grande expressão por se encontrar descapitalizado, situação essa que não permite que os operadores económicos desse sector se lancem a grandes investimentos com vista a reabilitar a produção interna, a curto prazo. Isso significa que, o único agente económico que tem os pulmões oxigenados, é o Estado que com muito sacrifício terá que manipular todas as alavancas do bloco económico, até que o sector privado se reconstitua;
Angola, felizmente, a natureza proporcionou-lhe solos aráveis férteis, um clima e um regime pluviométrico favorável á agricultura, condições essas que lhe facilita criar uma base sólida para a Segurança Alimentar.
O que é preciso é unir esforços e mobilizar toda a população activa do País, colocando o acento tónico nas seguintes medidas:

a) Organização total da administração do Território;
b) Reassentamento completo da população rural nas suas zonas de origem ou de produção, criando-se as mínimas condições sociais para o efeito;
c) Reabilitação de todas as vias de comunicação (ferroviárias e Rodoviárias);
d) Criação de incentivos fiscais e financeiros para os comerciantes ora radicados no meio rural;
e) Concessão de um Programa económico integrado, envolvendo o Comércio, Agricultura, Indústria Transformadora, Transportes, Pescas e Governos Provinciais, com vista a escoar toda a produção camponesa e sua transformação em produto acabado.

Se essas premissas, forem preenchidas com acutilância e vontade política, pensamos que Angola, mesmo com Fundos próprios, bem geridos, a médio prazo poderá romper o ciclo vicioso da pobreza, porquanto:

A OMC (Organização Mundial do Comércio), nos seus diversos (acordos) celebrados com os Países Membros, concede várias facilidades – Derrogações;
Esses documentos constam do Acto Final lavrado em Marraquexe - Marrocos e é intitulado de “URUGUAI ROUND”, por ter sido alinhavado na cidade de Punta del Leste, no Uruguai.
Muito embora os acordos constantes desse documento dão igual tratamento a todos Países membros, o mesmo concede excepções para os Países em vias de desenvolvimento e os P.M.A’S, isto é, que um País que se encontre nesse estágio de desenvolvimento e com dívida externa bastante alta, pode proteger a sua indústria, a agricultura e o comércio para atenuar os seus problemas. O que é preciso e imperativamente necessário, é aproveitar essas prerrogativas e saber negociar com o Secretariado da OMC – GENEBRA/SUÍÇA.

Globalização – Um Dilema para os P.M.A’s:

A Globalização é um fenómeno sócio económico – Político que existe há longa data, contudo, na nossa região começou-se a falar mais dela com a conclusão do ciclo de “URUGUAI-ROUND” que deu origem à publicação do ACTO FINAL de MARRAQUEXE em 1994.
Os Países em vias de desenvolvimento e os P.M.A’S que aderiram a esse Acto, ao contrário do que acontecia entre os Países desenvolvidos e os Países em vias de desenvolvimento/PMA’S durante a vigência do ACP (África, Caraíbas e Pacífico) e os Lomes I, II, III e IV, tendo em conta o tratamento igual entre os Países, terão que se esforçar muito mais se quiserem desfrutar-se de algo na Organização Mundial do Comércio, cuja base fundamental é o domínio da ciência moderna e tecnologia de ponta. 
É intenção do mundo pôr todos os Países em linha horizontal? Não nos parece. Pensar assim, seria alimentar um sonho, a partida frustrado.
A verdade é de que no contexto geral da globalização, os Países desenvolvidos, detentores da ciência e tecnologia de ponta, tirarão a maior fatia; os imediatamente a seguir, segundo a sua capacidade, tirarão a fatia menor e os últimos, se não tiverem cuidado, perderão irremediavelmente tudo.

Concluindo: Qual é a nossa posição perante esse facto? Esses são os desafios do Século XXI!

Bem Haja
Castro Domingos
(Inspector Superior Principal/ Minhotur/Reformado)

Voltar ao sumário da Abc Comercial nº 11

anterior topo início imprimir enviar link

Início | Apresentação | Novidades | Legislação | ABC Comercial | Formulários | Curiosidades | Sites | CODEX ALIMENTARIUS | Práticas Comerciais
© 2005 DNCI - Direcção Nacional do Comércio Interno | Largo 4 de Fevereiro, 7 - 3º | Palácio de Vidro
Caixa Postal 1337/8 | LUANDA - ANGOLA
Email: minco.dnci.gc@netangola.com | T: 00 244 222 310 658 . 00 244 222 310 273 Fax: 00 244 222 310 658 . 00 244 222 310 658
Desenvolvido por Netmais