 |
ABC COMERCIAL: PUBLICAÇÕES: REVISTAS |
 |
|
|
|
REVISTA
ABC Comercial nº 11
ANO IV - nº 11 - 2006
Comércio, Produção e Segurança Alimentar
Entre os anos fiscais 2002 e 2005, a assistência do
governo dos Estados Unidos para Angola foi de mais de USD 425 milhões. Porém, este montante não
inclui a assistência fornecida às organizações internacionais,
tais como ajudas ao Alto Comissariado das Nações Unidas
para os Refugiados- HCR e à Cruz Vermelha Internacional-CICV), aplicados em Angola neste mesmo período.
A Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA)
foi consagrada a 18 de Maio de 2000 como parte da Lei de
Comércio e Desenvolvimento dos EUA, possibilitando deste modo, a entrada isenta de taxas alfandegárias no mercado
Americano de produtos designados provenientes de países africanos, que se encontrem em fase de implementação
de uma economia de mercado livre e de reformas políticas democráticas.
Tal como Moçambique, falando concretamente dos PALOP,
constituiu um dos primeiros países elegíveis aos benefícios
da AGOA em 2000, o meu país, Angola, pretende igualmente
poder a vir exportar para os Estados Unidos uma variedade
de produtos isentos de Taxas Alfandegárias, de acordo com o Sistema Geral de Preferências (GSP).
Daí a importância da reforma institucional em curso no meu
Ministério, onde prevemos a criação logo que aprovado o
novo Estatuto Orgânico do Ministério do Comércio, da institucionalização do Instituto Nacional do Fomento das
Exportações (INAPEX).
Com este primeiro passo dado, esperamos que com a ajuda
de nossos parceiros e amigos americanos, possamos a curto
e médio prazos, poder exportar para os EUA não apenas diamantes e petróleo como vem sendo o caso, mas também,
bens agrícolas frescos e processados, produtos piscatórios
ou derivados como é o caso da farinha de peixe.
Como grande produtora de algodão num passado longínquo,
agora em tempos de Paz, não excluímos a possibilidade de
tão logo quanto possamos, poder exportar este importante
produto seja ele manufacturado ou em bruto.
Igualmente importante para o meu país e para todos angolanos, é ver num futuro breve o nome de Angola constar
como beneficiária do Acordo Geral de Tarifas e Comércio à Ronda do Uruguai, onde contamos para o efeito
do apoio e assistência do Governo dos EUA.
Por isso é extremamente importante que estejamos e continuemos
a trabalhar em conjunto com o Governo dos EUA nestes domínios.
Da AGOA esperamos que ofereça aos exportadores angolanos um acesso sem restrições ao importante mercado
Americano, e que num espaço de tempo razoável, elimine
as taxas alfandegárias para permitir aos bens angolanos tais
como Café em grão ou processado, Castanha de Caju, Manga, etc, competir com produtos de outras partes do
mundo ao pé de igualdade.
Acreditamos e esperamos que a AGOA resulte ser um instrumento importante para a reintegração de Angola na
economia mundial, tal como ela já o foi num passado longínquo sob o então domínio colonial português.
Uma vez apresentado este “Statemen” estou à disposição
dos Excelentíssimos Srs. para outros esclarecimentos ou
perguntas.
Muito Obrigado
Joaquim Icuma Muafumba
|
-
“MEDIDAS DE SALVAGUARDA, DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC), PARA PROTECÇÃO
DA PRODUÇÃO NACIONAL”
Introdução:
Caros Leitores, subestimar o sector do
Comércio é negar um factor fundamental para o
desenvolvimento sócio-económico sustentado
em África e particularmente em Angola.
A Legislação Comercial Angolana, permite a
toda a população o ingresso no sector do
Comércio, contemplando as diversas franjas da
sociedade, do rico até ao cidadão mais pobre.
Como é do conhecimento de todos, a ausência no
País de uma indústria modernizada e ampliada,
na actual conjuntura faz com que a maioria da
população não intelectual se dedique a pequenos
negócios comerciais para procurar os meios de
sobrevivência e, assim sendo, o Comércio
aparece como guardião do exercito populacional
empauperizado por situações de vária ordem,
com vista a reduzir o índice de desemprego, a
pobreza extrema e a miséria.
A UNCTAD – Conferência das Nações Unidas
sobre o Comércio e Desenvolvimento no seu
Simpósio realizado no Brasil, na Cidade de S.
Paulo em 2004, realçou a importância do sector
do Comércio no contexto global do desenvolvimento
das nações e manifestou a preocupação
de alguns Países não darem especial atenção a
esse bloco económico tão importante para a
erradicação da fome no mundo, desde que funcione
em estreita ligação com os sectores de
Agricultura, Indústria Transformadora e
Transportes;
A África é o continente mais visado, porquanto,
em vez do grau de pobreza extrema diminuir,
pelo contrário, tende a aumentar.
Ciclos Viciosos da Pobreza e suas Causas:
Os célebres Economistas especializados nas
questões económicas, governação e gestão da
coisa pública, interpretam o fenómeno do ciclo
vicioso da pobreza da seguinte forma:
Para que haja progresso num País, é preciso
que nele se realizem investimentos. Os investimentos
só podem ser feitos à custa do produto
das poupanças ( a menos que se consiga capital
do Exterior). Para se conseguir um nível
razoável de poupança é preciso que o nível de
rendimentos da população seja alto, pois, quando
os cidadãos são muito pobres, a sua contribuição
para o erário público é muito reduzido,
visto que os seus rendimentos mal chegam
para satisfazer as suas necessidades essenciais
de consumo, e, assim, esquematicamente
demonstram o fenómeno em questão da
seguinte maneira:
a) Fraco nível de desenvolvimento
Rendimentos muito baixos
possibilidades de poupança muito reduzidas
fraco nível de investimentos
pequeno progresso económico;
Resultado: Permanência do subdesenvolvimento.
b) Fraco nível de desenvolvimento
fracas possibilidades de educação
fracas possibilidades de progresso
económico;
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento
c) Fraco nível de desenvolvimento
pequenez do mercado
poucos atractivos para os investimentos
pequeno progresso económico;
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento
d) Fraco nível de desenvolvimento
falta de economias externas
poucas possibilidades para investimentos
Resultado: Permanência do Subdesenvolvimento
Desmantelamento do Ciclo Vicioso de
Pobreza:
Como desmantelar esse ciclo vicioso que assola
uma boa parte dos Países Africanos?
É, ou não possível romper esse ciclo vicioso
que apoquenta milhões de pessoas no mundo?
A nosso ver, pensamos que sim.
Angola, é um País que se libertou muito recentemente
de uma guerra devastadora que destruiu
quase todas as infra-estruturas económicas e
sociais e as Províncias que então eram grandes
produtoras de bens alimentares e geradores de
stocks para a exportação, como sejam: Uíge,
Kuanza-Norte, Malange, Bié, Huambo, Huíla,
Kuanza-Sul etc, ficaram debilitadas em consequência
da guerra que desalojou a maior parte
dos seus habitantes.
O sector privado em Angola, ainda não tem grande
expressão por se encontrar descapitalizado, situação
essa que não permite que os operadores
económicos desse sector se lancem a grandes
investimentos com vista a reabilitar a produção
interna, a curto prazo. Isso significa que, o único
agente económico que tem os pulmões oxigenados,
é o Estado que com muito sacrifício terá que
manipular todas as alavancas do bloco económico,
até que o sector privado se reconstitua;
Angola, felizmente, a natureza
proporcionou-lhe solos aráveis férteis, um clima e um regime
pluviométrico favorável á agricultura,
condições essas que lhe facilita criar uma base
sólida para a Segurança Alimentar.
O que é preciso é unir esforços e mobilizar toda
a população activa do País, colocando o acento
tónico nas seguintes medidas:
a) Organização total da administração do
Território;
b) Reassentamento completo da população
rural nas suas zonas de origem ou de produção,
criando-se as mínimas condições
sociais para o efeito;
c) Reabilitação de todas as vias de comunicação
(ferroviárias e Rodoviárias);
d) Criação de incentivos fiscais e financeiros
para os comerciantes ora radicados no
meio rural;
e) Concessão de um Programa económico
integrado, envolvendo o Comércio, Agricultura,
Indústria Transformadora, Transportes, Pescas
e Governos Provinciais, com vista a escoar
toda a produção camponesa e sua transformação
em produto acabado.

Se essas premissas, forem preenchidas com acutilância
e vontade política, pensamos que
Angola, mesmo com Fundos próprios, bem
geridos, a médio prazo poderá romper o
ciclo vicioso da pobreza, porquanto:
A OMC (Organização Mundial do Comércio),
nos seus diversos (acordos) celebrados com os
Países Membros, concede várias facilidades –
Derrogações;
Esses documentos constam do Acto Final
lavrado em Marraquexe - Marrocos e é intitulado
de “URUGUAI ROUND”, por ter sido
alinhavado na cidade de Punta del
Leste, no Uruguai.
Muito embora os acordos constantes desse documento
dão igual tratamento a todos Países
membros, o mesmo concede excepções para os
Países em vias de desenvolvimento e os
P.M.A’S, isto é, que um País que se encontre
nesse estágio de desenvolvimento e com dívida
externa bastante alta, pode proteger a sua
indústria, a agricultura e o comércio para atenuar
os seus problemas. O que é preciso e imperativamente
necessário, é aproveitar essas prerrogativas
e saber negociar com o Secretariado
da OMC – GENEBRA/SUÍÇA.
Globalização – Um Dilema para os P.M.A’s:
A Globalização é um fenómeno
sócio
económico – Político que existe há longa data,
contudo, na nossa região começou-se a falar
mais dela com a conclusão do ciclo de
“URUGUAI-ROUND” que deu origem à publicação
do ACTO FINAL de MARRAQUEXE
em 1994.
Os Países em vias de desenvolvimento e os
P.M.A’S que aderiram a esse Acto, ao contrário
do que acontecia entre os Países desenvolvidos
e os Países em vias de desenvolvimento/PMA’S
durante a vigência do ACP (África, Caraíbas e
Pacífico) e os Lomes I, II, III e IV, tendo em
conta o tratamento igual entre os Países, terão
que se esforçar muito mais se quiserem desfrutar-se de algo na Organização Mundial do
Comércio, cuja base fundamental é o domínio
da ciência moderna e tecnologia de ponta.
É intenção do mundo pôr todos os Países em
linha horizontal? Não nos parece. Pensar assim,
seria alimentar um sonho, a partida frustrado.
A verdade é de que no contexto geral da globalização,
os Países desenvolvidos, detentores da
ciência e tecnologia de ponta, tirarão a maior
fatia; os imediatamente a seguir, segundo a sua
capacidade, tirarão a fatia menor e os últimos,
se não tiverem cuidado, perderão irremediavelmente
tudo.
Concluindo: Qual é a nossa posição perante
esse facto? Esses são os desafios do Século
XXI!
Bem Haja
Castro Domingos
(Inspector Superior Principal/ Minhotur/Reformado)
Voltar ao sumário da Abc
Comercial nº 11 |
|