Entrevista do Dr. Gomes Cardoso, Presidente do Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola ao WEBSITE DA dIRECÇÃO nACIONAL DO COMÉRCIO INTERNO - Por Ocasião
do 1.º Aniversário - 30 de Maio de 2003 a 30 de Maio de 2004
"Codex Alimentarius em Angola já é uma Realidade"
1 - Pergunta: Dr. Gomes, na qualidade de Presidente da Codex, poderia fazer-nos uma breve explanação sobre a Organização?
Resposta GC/ Presidente do Codex Angola: Quero em primeiro lugar agradecer a oportunidade que me dá para abordagem de um tema novo e
actual, neste primeiro Aniversário da criação do Codex Angola.
Aproveito a oportunidade para caracterizar o Código Alimentar no mundo e em Angola.
1. No mundo/ Nível Internacional:
O Codex Alimentarius foi criado em 1962, com sede em Roma, constituído por 168 Países membros, para cumprir com o Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para Agricultura e
alimentação (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), encarregue de preparar normas, códigos de uso, directrizes e recomendações, agrupando-os num Código Alimentar, convencionalmente designado em Língua
Latina por Codex Alimentarius.
2. Em Angola/Nível Nacional:
As actividades do Codex Alimentarius em Angola tiveram início na década de 80, tendo percorrido as seguintes etapas principais:
1.ª Etapa: Adesão de Angola a Comissão do Codex Alimentarius Internacional aos 4 de Janeiro de 1990, como 138.º Membro, de entre os 168 países.
2.ª Etapa: Formalização da Comissão Instaladora do Comité Nacional para o Código Alimentar - Codex Angola, aos 21 de Março de 2003 (Despacho Conjunto n.º 20/2003, dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, do Comércio, da Indústria, da Saúde, das Pescas e da Defesa Nacional), publicado no Diário da República I Série - n.º 22;
3.ª Etapa: Criação do Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola, abreviadamente designado por Codex Angola, aos 30 de Maio, através do Decreto n.º
58/2003, do Conselho de Ministros, do Governo da República de Angola, publicado no Diário da República I Série - n.º 70, de 5 de Setembro;
4.ª Etapa: Tomada de posse de 54 membros do Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola, em representação de 16 Ministérios, cuja a cerimónia solene realizou-se
no dia 28 de Novembro de 2003, nas instalações do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural;
2- Pergunta: Como surgiu o Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola e como está estruturada?
Resposta GC/ Presidente do Codex Angola: O Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola, Organismo
Nacional Multisectorial e Multidisciplinar, do Governo da República de Angola e membro da Comissão Internacional para o Codex Alimentarius, surgiu na sequência da adesão de Angola aquela Instituição Internacional
para no nosso país (Angola), promover, elaborar e velar pela harmonização e cumprimento de normas; códigos de uso internacionalmente aceites; incentivar a criação de infra-estruturas de controlo da
qualidade, estabelecer, assegurar a legislação nacional sobre os alimentos e práticas leais no comércio.
Dada a importância e complexidade, o Codex Angola e composto por Representantes de 16 Ministérios (Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Comércio, Indústria, Saúde, Pescas, Defesa Nacional,
Interior, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Finanças, Energia e Águas, Urbanismo e Ambiente, Planeamento, Assistência e Reinserção Social, Geologia e Minas e Hotelaria e Turismo) e tem os seguinte
Órgãos, de acordo ao Decreto Executivo Conjunto n.º 23/04, publicado no Diário da Republica I Série - n.º 12, de 10 de Fevereiro:
Órgãos de Direcção:
- Presidente (Comércio)
- 1.º Vice-Presidente (Indústria)
- 2.º Vice-Presidente (Saúde)
- Secretário Executivo (Agricultura e Desenvolvimento Rural)
- 1.º Secretário Executivo Adjunto (Pescas)
- 2.º Secretário Executivo Adjunto (Defesa)
- Coordenação de 12 Sub-Comités Técnicos Especializados
Órgãos de Apoio:
- Conselho de Direcção
- Conselho Técnico Científico
- Assembleia Geral
Órgãos Executivos Centrais:
- Secretariado Executivo
- Sub-Comités Técnicos
Órgãos Executivos Provinciais:
- Comissões Provinciais do Código Alimentar
3 - Pergunta: Que balanço se pode fazer desde a sua existência?
Resposta GC/ Presidente do Codex Angola: Antes de fazer o balanço de trabalho deste 1.º ano de actividade gostaria de anunciar os
principais objectivos do Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola: são nomeadamente:
a) Objectivos de Carácter Geral:
- Proteger a Saúde do Consumidor;
- Velar pela harmonização de normas e códigos de uso internacionalmente aceites e assegurar o estabelecimento de práticas leais no comércio de produtos alimentares;
- Promover a coordenação de todos os trabalhos realizados no domínio das normas alimentares por Organizações Internacionais, Governamentais e não Governamentais.
b) Objectivos de Carácter Específico:
- Coordenar todas as actividades relativas ao Código Alimentar no País;
- Servir de ponto de ligação entre a Indústria Agro-alimentar, Produtores, Comerciantes, Consumidores e todas as partes intervenientes nos trabalhos do Código Alimentar;
- Auxiliar o Governo na tomada de decisões politicas e técnicas no quadro dos trabalhos do Código Alimentar, Normas e Legislação Alimentar Nacional;
O Balanço do primeiro ano de actividade, apesar de dificuldades de vária ordem pode considerar-se muito positivo e caracterizado pela:
- Institucionalização de "facto, de jure e afirmação real" do Codex Angola, no País;
- Visitas de Ajuda e Controlo às Províncias de Benguela, Namibe e Huíla e criação das respectivas Comissões Provinciais do Código Alimentar;
- Organização e realização de ciclos de reuniões de interligação, com o objectivo de auscultação e estabelecimento de estratégias comuns para a implementação de competências, objectivos e atribuições do
Codex Alimentarius junto das Agências das Nações Unidas (FAO, OMS, PNUD, OMC e PAM), Organizações não Governamentais Nacionais e Internacionais (ADRA, AIA, ADECOR, UNACA, EPUNGU, FACE entre outros) e distintos
Órgãos da Administração Central do Estado ligados ao controlo da qualidade das mercadorias, nomeadamente: Direcção Nacional das Alfândegas, Bivac Internacional, Centro Nacional de Recursos
Filogenéticos, da Universidade Agostinho Neto, Órgãos de Inspecção e Fiscalização da Actividade Comercial e Económica e Laboratórios do Comércio, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pescas, Saúde e de
caracterização molecular do Centro Nacional de Recursos Filogenéticos;
- Tomada de medidas concretas sobre o Controlo da Qualidade de Bens Alimentares em Angola, tendo-se:
- Identificado e destruído por incineração, esmagamento e aterro de 18,0 toneladas de Galinhas Reformadas Contaminadas por nitrofurano;
- Reexportado de dois contentores de Massa Alimentar imprópria para consumo humano;
- Identificado e destruído Conserva de Carne/Chouriço imprópria para consumo humano;
- Identificado e suspenso a distribuição de Milho em Grão e Soja imprópria para consumo, na Província de Benguela.
- Elaboração de Ante-projecto de Normas Nacionais de Sal, Farinha de Trigo, Fuba de Milho, Trigo e Milho em Grão;
- Elaboração de Ante-projectos de Legislação sobre Rotulagem e Especificações Técnicas de Produtos em Português, requisitos e condições de comercialização de carne e seus derivados,
pescado e seus derivados, pão e seus derivados;
- Elaboração do Memorandum sobre Conceito, Génese e Uso de Organismos Geneticamente Modificados em Angola;
- Elaboração, apresentação e aprovação pelo Conselho de Ministros do Diploma sobre a Regulação de importação e Uso de qualquer variedade de Sementes ou Grãos transgénicos ou Organismos
Geneticamente Modificados (OGM's);
- Organização e realização de palestras sobre Código Alimentar e Sistema de Controlo da Qualidade de Bens de Consumo em Angola e Organismos Geneticamente Modificados;
- Levantamento da situação actual sobre normas e legislação nacional de alimentos em Angola;
- Estabelecimento de sinergias e mecanismos de controlo da qualidade de bens alimentares entre o Comité Nacional para o Código Alimentar em Angola - Codex Angola, Direcção das Alfândegas, Bivac Internacional,
Laboratórios, Órgãos de Inspecção e Fiscalização das Actividades Comerciais e Económicas.
- Dinamização e criação de infra-estruturas de controlo da qualidade de bens alimentares (Laboratórios) e respectiva acreditação Nacional e Internacional;
- Asseguramento de práticas leais no Comércio de alimentos;
- Participação em eventos internacionais sobre Codex Alimentarius em representação da República de Angola;
- Promoção e desenvolvimento de Programas Educativos para prevenção e protecção da Saúde e Segurança de Consumidores e desenvolvimento de amplo movimento de sensibilização e mobilização da opinião pública
sobre Código Alimentar, Normas, legislação Alimentar e Organismos Geneticamente Modificados;
- Organização e realização das Jornadas Técnico Cientificas sobre a Qualidade Alimentar em Angola, de Seminários e Encontros de sensibilização de Comerciantes em matéria de qualidade, embalagem, manipulação e
armazenamento de bens de consumo medicamentos e outros.
Enfim, é preciso criar-se no País a cultura de controlo de qualidade de bens alimentares.